Conecte-se!
Olá Estudante!
Neste OVA vamos nos aprofundar sobre a importância de reconhecermos os sentidos e contextos
por trás de um texto para que tenhamos clareza do que ele está nos comunicando. Vamos lá?!
A compreensão de um texto não se dá exclusivamente por meio da materialidade dos elementos linguísticos presentes na superfície do texto, mas leva-se em conta no processo da leitura, o ativamento de conhecimentos que estão armazenados na memória do ouvinte/ leitor que contribuem para a produção de sentidos.
A título de exemplificação, vejamos a charge a seguir:
Apenas os elementos linguísticos do texto (O título Convocação extraordinária e a fala do personagem à direita - Jesus) não proporcionam subsídios necessários para a compreensão e o efeito cômico presente na charge.
A morte do centenário arquiteto Oscar Niemeyer rendeu inúmeras homenagens e aguçou o humor e criatividade dos brasileiros, a exemplo dessa charge genial que se destacou nas redes sociais. Na mesma linha de brincar com a previsão apocalíptica maia de que o mundo vai acabar no ano de 2012, várias piadinhas circularam na internet.
Para que o leitor entenda o sentido do texto faz-se necessário a leitura das imagens e o reconhecimento dos elementos que o compõem: saber que o senhor que carrega uma maleta permeada por réguas é o arquiteto Oscar Niemeyer, compreender o contexto em que o texto está inserido (morte do arquiteto que projetou a cidade de Brasília e de grande reconhecimento no mundo todo), perceber que na fala do personagem Jesus "Vou acabar com tudo no dia 21", refere-se a previsão apocalíptica de que o mundo acabaria em 21/12/2012. Segundo os autores, o humor se dá não somente pelo que está homologado no texto, mas sim por sua relação com as imagens e os conhecimentos que devem ser mobilizados para que a compreensão seja possível.
É preciso considerar que, no exercício da leitura, além das pistas e sinalizações que o texto oferece, entram em cena os conhecimentos do leitor.
O texto anterior trouxe aspectos importantes sobre os sentidos que um texto emerge a depender o uso dos tipos e modalidades presentes nele. Vamos avançar nesse entendimento.
Vimos no texto anterior que para a construção de sentidos do texto frente aos aspectos/fatores multimodais, emerge a postura de articular/ juntar os elementos da linguagem verbal e não verbal, isto é, do plano verbal e visual. Por isso, é importante que saibamos mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção textuais).
Falar em leitura remete à questão da produção de sentidos constituídos no contexto de interação recíproca entre autor e leitor via texto, os quais se expressam diferentemente, de acordo com a subjetividade do leitor: seus conhecimentos, suas experiências e seus valores. Nesse caso, pode-se dizer que o texto se constrói a cada leitura, não trazendo em si um sentido preestabelecido pelo seu autor, mas uma demarcação para os sentidos possíveis.
Na produção de sentidos, o leitor desempenha um papel ativo, sendo as inferências um processo cognitivo relevante para esse tipo de atividade. Isto ocorre porque elas possibilitam a construção de novos conhecimentos a partir de dados previamente existentes na memória do interlocutor, os quais são ativados e relacionados às informações veiculadas pelo texto. Esse processo favorece a mudança e a transformação do leitor, que, por sua vez, modifica o texto.
Ao atribuir sentido ao texto, o indivíduo o constitui, transformando-o em algo novo e diferenciado. É o leitor que atribui vida ao texto, sendo o seu significado modificado com as várias leituras por ele realizadas. Isto fica claro quando fazemos alusão à célebre frase do filósofo Heráclito para explicar a dependência da vida do texto para com o universo de sentidos do leitor:
(...) Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio porque as águas mudam, mas o mais terrível é que nós não somos menos fluidos que o rio. Cada vez que lemos um livro, o livro mudou, a conotação das palavras é outra.
Ampliando essa ideia, Jenkins (2009), conceitua a narrativa transmídia como um processo em que os elementos da ficção são minuciosamente dispersos através de múltiplos canais de distribuição para criar uma experiência unificada e organizada de entretenimento, em outras palavras, transcorre-se uma tradução da mesma mensagem adaptadas para cada uma das plataformas utilizando lacunas deixadas pela narrativa original de uma forma totalmente nova.
A utilização da narrativa transmídia contribuiu de forma significativa e expressiva para o alcance do sucesso da história contada por J.K Rowling e demais franquias nas mais diversas plataformas usadas para concretizar todo o seu imaginário. Assim, a combinação de elementos visuais e verbais na composição dos gêneros textuais, fenômeno conhecido como multimodalidade discursiva, é hoje um objeto de estudo muito frequente nas produções acadêmicas. É possível encontrar trabalhos que investigam a multimodalidade no editorial, no editorial on-line, no chat, no blog, em cartazes de guerra, no comercial televisivo, na propaganda, na cartilha jurídica e até na narrativa conversacional. Todos esses estudos estão pautados na ideia de que os significados negociados pelo produtor e o receptor de um texto não se restringem somente aos signos linguísticos, pelo contrário, estão contidos também nos signos não-linguísticos.
Vimos como o uso de diversos elementos fazem parte da construção textual que impacta nos sentidos que transmitem ao leitor. Na imagem a seguir, veremos na prática como esse tema se manifesta.
Para ampliarmos nosso entendimento sobre como a multimodalidade interfere nos sentidos atribuídos ao texto, faremos a análise da imagem a seguir.
Ao fazer a primeira leitura do título da reportagem, já podemos observar algumas características
presentes na escolha das palavras.
A pessoa acusada é referenciada com os verbetes MULHER e JOVEM DE 19 ANOS.
Em seguida, o texto escrito traz o verbo COMERCIALIZANDO ao se referir à atividade desenvolvida pela jovem de 19 anos.
Seguimos observando as imagens trazidas pela reportagem para referenciar a MULHER. O que podemos observar? Aqui podemos analisar a escolha das fotos exibidas, a luminosidade, o lugar, a roupa, a aparência e tudo mais presente nas imagens. O que essas imagens comunicam?
Após o texto escrito, é exibido um vídeo sobre a reportagem. O fato deste vídeo ser exibido depois do texto influencia na interpretação do texto ou na mensagem que o autor deseja transmitir?
Por que foi escolhida essa mídia para complementar a reportagem?
Clique na imagem a seguir para visualizar o vídeo em uma nova janela.
No vídeo, como as pessoas aparecem? A roupa, o comportamento e a tomada da câmera, tudo isso influencia na forma como percebemos o texto que aqui é trazido em forma de audiovisual, atribuindo mais um modo à emissão da mensagem.
Como as pessoas que aparecem no vídeo se comportam?
O vídeo possui legenda?
Estes entre outros aspectos são importantes e produzem sentido ao texto.
O fato de termos texto escrito, imagem e vídeo trazendo a mesma notícia e garantindo a multimodalidade deste texto também influencia nos sentidos que ele produz.
Se você desejar, pode revisitar o texto novamente, observando os aspectos trazidos aqui com mais atenção e certamente perceberá como essa leitura atenta influencia na sua maneira de ler e interpretar.
Material Complementar
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Complementar
O artigo a seguir explicita como, com o desenrolar da leitura, a produção de sentidos perpassa os elementos verbais e não-verbais presentes na superfície textual. Clique no link e leia com atenção para que possamos refletir a respeito. https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica/article/view/19517/10786
Pense a respeito!
Muitas vezes passamos despercebidos por textos que são elaborados estrategicamente para que façamos a exata interpretação que o emissor deseja. Profissionais que conhecem bem os elementos da comunicação e as funções da linguagem manipulam estes recursos de forma a atingir seu público e atrair sua atenção para exatamente aquilo que eles querem. É assim na mídia, na propaganda, na política e em diversas outras áreas. Interpretar um texto de forma atenta, seja ele uma imagem, texto escrito, vídeo ou mesmo áudio pode nos ajudar a compreender melhor a mensagem sem sermos apenas levados a pensar como os outros querem que pensemos.
Referências
FERREIRA, Sandra P. A.; DIAS. Maria da Graça B. B. A leitura, a produção de sentidos e o processo inferencial. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pe/a/k4YrXnTw96BYSpSpvrJ9vLL/?lang=pt. Acesso em 29 maio 2022.
PORTAL G1. Polícia prende mulher conhecida como 'Gatinha da Cracolândia' por tráfico de drogas. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/07/22/policia-prende-mulher-conhecida-como-gatinha-da-cracolandia-por-trafico-de-drogas.ghtml. Acesso em 20 maio 2022.