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Viver em uma sociedade diversa pode significar viver em uma sociedade cheia de possibilidades de transformação e crescimento. Então, vamos aprender sobre a qualidade de ser diverso?

Etimologicamente, a palavra diversidade deriva do latim diversitas, atis, e significa “variedade, alteração, mudança, diferença”. No dicionário Michaelis, a palavra aparece como qualidade daquilo que é diverso, diferença, dessemelhança, variação, variedade. Conjunto que apresenta características variadas e multiplicidade. E ainda, como ausência de acordo ou de entendimento, correspondendo a desacordo ou divergência.

É interessante observar como a própria origem e o significado da palavra dão conta das facetas pelas quais ela é vivenciada no acontecer social.

No contexto social, a diversidade se apresenta na convivência de indivíduos diferentes em aspectos como etnia, orientação sexual, cultura, geração e gênero. Estimular a diversidade nos diferentes ambientes é um compromisso da nossa Constituição e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, além de ser uma estratégia de combate ao preconceito e à discriminação.

Mas aqui vale fazer uma pontuação: diversidade é diferente de representatividade, e ambas são importantes na luta pelas mudanças sociais que almejamos.

A representatividade se refere ao autorreconhecimento e reconhecimento dos semelhantes. Por exemplo, podemos falar do super-herói Pantera Negra como um símbolo de representatividade do negro no cinema e nos quadrinhos.

Assim, a representatividade tem como fator a construção de subjetividade e identidade dos grupos e indivíduos que integram esse grupo; além de evidenciar a importância de ter pessoas ocupando os lugares dos quais foram historicamente excluídas. Mas, como aponta Djamila Ribeiro, a representatividade deve ser pautada em ações concretas, para além somente de comunicar uma representatividade. E destaca a importância de pensar essa representação na empresa, considerando as oportunidades que estão sendo criadas concretamente para que pessoas de outros grupos sociais acessem esses espaços. Portanto, representatividade não é tudo, mas é um passo importante.

Em síntese, na representatividade, um representa todos, você se vê naquele que te representa. Na diversidade, grupos ocupam espaços antes não acessados, esse seria mais um degrau.

Até o momento, foram abordadas as noções de diversidade e representatividade... e quanto ao lugar de fala? Você tem algo a ver com isso? É relevante diferenciar: representatividade não é o mesmo que lugar de fala, esse último se refere ao “lugar social” ocupado pelos indivíduos num contexto de dominação e opressão. Significa compreender o seu lugar em uma história, poder debater diferentes temáticas, mas compreendendo que a sua vivência em relação ao tema pode mudar a depender do lugar social que você ocupa. E eu falei vivência, não conceito teórico.

Para saber mais sobre isso, recomendo assistir ao vídeo de Djamila Ribeiro, disponibilizado no canal “Curta!”: “O que é lugar de Fala?”. Você pode acessar no material complementar.

Para finalizar esse texto, os convido a pensar, através da transcrição a seguir, sobre a importância das políticas de reparação e ações afirmativas como importantes estratégias de mudança:

“Para além do campo político e voltado para o espaço social, é preciso ter em mente que indivíduos que compõem grupos identitários e classes socioeconômicas distantes da dominante não estão presentes em diversos espaços sociais, como: instituições de ensino superior públicas; protagonizando conteúdo artístico e midiático; em cargos de grande prestígio e de alta hierarquia etc.

Um exemplo disso é a baixa proporção de mulheres em cargos executivos e representativos nas assembleias legislativas, como CEOs em empresas. Ou, ainda, a histórica ausência da população negra no ensino superior público (revertida apenas em 2019 após anos de políticas de cotas).

Pensando nisso, é necessário buscar formas de reparar o déficit de representatividade, como as ações afirmativas, por exemplo. Essas nada mais são que políticas que visam eliminar a desigualdade, a discriminação e a marginalização historicamente acumuladas e originadas com relação a gênero, etnia, religiosidade e raça.

Em outras palavras, essas medidas buscam garantir a igualdade de oportunidades, tratamento e direitos aos indivíduos que estão organizados em grupos identitários, ou seja, que compartilham a característica que foi central para a sua discriminação.

A criação de cotas para garantir a participação de mulheres na política, de negros e pessoas de baixa renda nas universidades públicas são outros exemplos de políticas com objetivos de corrigir desigualdades sociais históricas, fortalecer os princípios do Estado Democrático de Direito, legitimar a representatividade política e tornar a igualdade entre todos de fato” (Andrade, 2020).

Chegando aqui, já podemos entender que a diversidade se faz presente na sociedade e são muitos os grupos que a compõe. Porém, ao longo da história, muitos desses grupos sofreram opressões e por muito tempo não tiveram os seus direitos fundamentais reconhecidos. É aí que entram os Direitos Étnico-raciais.

Leia o conteúdo da tela a seguir e avance para visualizar as demais!

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1761

Em Portugal, o Marquês de Pombal decreta o fim da importação de escravos das colônias para a metrópole.

1792

A Dinamarca se torna o primeiro país do mundo a decretar legalmente o fim da escravidão no país.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1794

O Haiti se torna o primeiro país das Américas a abolir a escravidão.

1807

A Coroa Britânica proíbe o tráfico de escravos entre as suas colônias na África e nas Américas, por meio do Slave Trade Act.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1831

Uma grande rebelião de escravos contra o sistema escravocrata ocorre na Jamaica, influenciando na abolição no país anos mais tarde.

1850

É promulgada a Lei Eusébio de Queirós no Brasil, estabelecendo medidas para a repressão do tráfico de africanos no país.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1871

É promulgada a Lei do Ventre Livre no Brasil, decretando que todos os filhos(as) de escravos nascidos no país seriam considerados livres.

1885

A Lei dos Sexagenários é promulgada no Brasil, concedendo liberdade para os escravos que tivessem mais de 60 anos de idade.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1888

Por meio da Lei Áurea, o Brasil se torna o último país das Américas a abolir a escravidão.

1913

John Richard Archer é eleito o primeiro prefeito negro de Londres.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1934

É promulgada no Brasil a Constituição Federal de 1934, reconhecendo a cidadania dos negros no país e garantindo o seu direito ao voto.

1936

O afro-americano Jesse Owens conquista quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim, evento no qual Adolf Hitler tinha esperanças de demonstrar a superioridade Ariana.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1957

É publicada a Convenção sobre os Povos indígenas e Tribais (Convenção OIT nº 107) pela Organização Internacional do Trabalho, visando facilitar medidas que assegurem a proteção das populações indígenas, tribais e semi tribais no mundo.

1963

É publicada a Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial pela ONU, afirmando a necessidade de eliminar a discriminação racial em todo o mundo.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1964

A Lei dos Direitos Civis é promulgada nos EUA, tornando a segregação racial ilegal no país e reconhecendo os direitos civis dos negros.

1965

É publicada a convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de discriminação Racial pela ONU, prevendo o combate à todas as formas e manifestações de discriminação racial e promovendo o respeito aos Direitos Humanos sem distinção de raça.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1973

É aprovada pela ONU a Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid, condenando práticas de segregação racial no mundo e o apartheid na África do Sul.

1978

É realizada a Primeira Conferência Mundial contra o Racismo e é aprovada pela ONU a Declaração sobre Raça e Preconceitos Raciais, defendendo uma série de políticas de combate ao racismo e à desigualdade racial no mundo.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1985

É publicada pela ONU a Convenção Internacional sobre o Apartheid nos Esportes, condenando práticas discriminatórias nos esportes com base em raça.

1989

É publicada a Convenção sobre Povos Indígenas e Tribais (Convenção OIT nº I69) pela Organização Internacional do Trabalho, sendo uma atualização da Convenção OIT nº I07.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

1994

Fim do apartheid na África do Sul.

2007

A ONU publica a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, reconhecendo princípios como o direito à autodeterminação desses povos.

A história dos direitos étnico-raciais

Eventos e documentos jurídicos históricos que marcam as conquistas dos direitos étnico-raciais ao longo do tempo, ao redor do mundo.

2009

A Organização dos Estados Americanos (OEA) publica o Programa de Ação sobre os Povos Indígenas nas Américas, com o objetivo de promover e fortalecer a participação dos povos indígenas em processos decisórios na região.

2016

A Declaração Americana sobre os Direitos do Povos Indígenas é publicada pela OEA, reconhecendo os direitos dos povos indígenas no continente e afirmando a necessidade da proteção desses povos.

Fonte: Politize!, 2022.

Para finalizar, vamos dar um Google? Assista ao vídeo e responda: por que a diversidade é importante para o Google?

Assista ao vídeo “Por que a Diversidade é importante para a Google?" Clique no play e confira!

Pense a respeito!

Conhecer a história, conhecer os conceitos e observar a realidade cotidiana colabora para a construção de uma consciência política! Só assim, as mudanças podem ser geradas de forma sólida e embasada.




Material Complementar

O QUE é lugar de fala? Canal Curta! YOUTUBE, s/d. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=S7VQ03G2Lpw. Acesso em: 15 maio 2022.


DIREITOS Étnico-raciais: o que são e como surgiram? Politize! YOUTUBE, s/d. Disponível em:https://www.youtube.com/watch?v=DlkWsc6yCMI. Acesso em: 15 maio 2022.




Referências

ANDRADE, R. Representatividade: o que isso significa? 15/05/2020. Disponível em: https://www.politize.com.br/representatividade/. Acesso em: 18 maio 2022.


RÊ, E.; VIDIGAL, I.C.; SIQUEIRA, T.; ROMUALDO, J. R.; VALENTIM, J.P. F.; PAES, L.G.R.A. A história dos direitos étnico-raciais. 01/06/2021. Disponível em: https://www.politize.com.br/equidade/blogpost/historia-dos-direitos-etnico-raciais/. Acesso em: 18 maio 2022.


Por que a diversidade é tão importante para o Google? Na Prática. YOUTUBE, s/d. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kGdfswO3HoU. Acesso em: 18 maio 2022.