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Exclusão social e desigualdade são dois fatores interligados. A desigualdade potencializa a exclusão social e essa gera mais desigualdade. Convido você a conhecer um pouco mais sobre esses processos para, assim, ser um agente de mudança social. Vamos nessa?!

Exclusão Social, Desigualdade e o Art. 3º da Constituição

Vamos iniciar essa leitura recapitulando o que diz o Art. 3º da Constituição da República Federativa do Brasil:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

(BRASIL, 1988)

Em um primeiro olhar, você pode questionar: “Então, é obrigação do Estado, ou melhor, do Governo garantir que não haja exclusão e desigualdade?!" Sim e não... Lembrem-se: o Brasil é um Estado Democrático de Direito, ou seja, há soberania popular, e o combate à exclusão e à desigualdade social é de responsabilidade de todos.

Cientes da nossa responsabilidade, agora vamos à compreensão do que são e como se desenvolvem esses processos para, dessa forma, analisar as possíveis ferramentas e estratégias de combate.

Assim, para compreender a exclusão social no Brasil — ou seja, as estruturas que impedem que pessoas acessem os bens e serviços que lhes possibilitam exercer plenamente seus direitos — precisamos entender que existem diferentes formas de desigualdade; desigualdades essas que formam os pilares da exclusão na medida em que se retroalimentam, como a desigualdade econômica, de gênero, racial e social.

A desigualdade econômica é caracterizada basicamente pela distribuição desigual de renda. Tal fenômeno é influenciado por fatores históricos, sociais e pela falta de investimento em políticas sociais. Ao observar o nosso país, com suas dimensões continentais e processos históricos diferentes de construção, podemos ver tal desigualdade e as diferentes composições que se formam nas diferentes regiões.

Alinhada com essa perspectiva, Morais (2018) pontua que uma das causas da desigualdade econômica é a herança colonial, ou seja, a desigualdade econômica é um problema histórico, estrutural e muito complexo. Essa forma de desigualdade pode ser acentuada pelas desigualdades de gênero, pela segregação racial, pela falta de acesso à educação e em razão da localização geográfica e do comércio exterior.

Observem que, ao falar do aspecto econômico, a desigualdade racial já apareceu como um importante ponto de influência. Posteriormente, será possível entender que ela também afeta, diretamente, a desigualdade social, pois a história do Brasil, a partir da colonização, se desenvolve com base na desigualdade racial.

Você sabia que, segundo a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, de 2015, a renda média das pessoas pretas e pardas (que configuram a população negra do país) equivale a apenas 59,2% da renda média das pessoas brancas? E que, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para cada não negro assassinado no Brasil, 2,7 negros são vítimas de homicídio?

Esses dados revelam uma realidade no país: a desigualdade racial. Alguns grupos étnico-raciais ainda são afetados com a discriminação e possuem dificuldades para se inserir na sociedade brasileira.

Essa exclusão social é fruto de uma construção histórica baseada na escravização e marginalização desses grupos, que por muito tempo não tiveram acesso a direitos básicos.

Foi somente no século XX, com a elaboração da Constituição de 1934, por Getúlio Vargas, que certos direitos de grupos étnico-raciais vulnerabilizados foram reconhecidos pela primeira vez no Brasil.

Nela, ficou estabelecido o sufrágio universal, ou seja, o direito ao voto a todos os adultos do país, independente de gênero e raça. É importante ressaltar que a conquista dos grupos étnico-raciais por direitos políticos no país foi consequência de muita luta e esforços.

Isso ocorreu principalmente por meio de movimentos sociais realizados pelos negros, que, desde a época colonial, se organizavam e criavam mobilizações de resistência, como os quilombos, que representavam um refúgio para os escravos.

Já no início do século XX, o movimento negro representava uma mobilização social na busca pela igualdade em direitos, justiça e tratamento. Denunciando, assim, a desigualdade racial e o preconceito social, reivindicando por políticas de inclusão para grupos sociais vulneráveis.

Diante do exposto, é notório que o combate à desigualdade e à exclusão social deve ser uma luta diária e de todos. Deve-se, portanto, cobrar e fiscalizar políticas públicas de combate, além de atuar e fiscalizar a ação dessas políticas. Há um longo caminho a percorrer, uma nova história a escrever, mas, certamente, em direção a uma sociedade melhor.

Vamos a um olhar prático? Pensar sobre estratégias de mudança implica em reconhecer o que queremos mudar. Assim, convido você a observar as imagens e identificar os conceitos.

Leia as informações. Em seguida, selecione a descrição apresentada.

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2018.

Fonte: Extraclasse, 2022.

Fonte: DESIGUALDADE bate recorde no Brasil, mostra estudo da FGV. Disponível em: https://cee.fiocruz.br/?q=Desigualdade-bate-recorde-no-Brasil. Acesso em: 16 maio 2022.

Para finalizar, que tal assistir ao vídeo da filósofa e feminista negra, Djamila Ribeiro? Você pode assistir até 5min39s, mas também pode assistir na íntegra.

Assista ao vídeo a seguir, “A desigualdade no Brasil: um resgate histórico”. Clique no play e confira!

Pense a respeito!

Diante desse importante estudo, você topa um desafio? Que tal listar 3 ações que você pode adotar no seu cotidiano como forma de combate às desigualdades sociais? Não há forma melhor de pensar a respeito!




Referências

MORAIS, Yasmin Almeida Lobato. 5 causas da desigualdade econômica. 08/11/2018. Disponível em: https://www.politize.com.br/desigualdade-economica-5-causas/. Acesso em: 16 maio 2022.


POLITIZE! Desigualdade Social: um problema sistêmico e urgente. 31/07/2017. Disponível em: https://www.politize.com.br/desigualdade-social/. Acesso em: 16 maio 2022.


RÊ, E.; VIDIGAL, I.C.; SIQUEIRA, T.; ROMUALDO, J. R.; VALENTIM, J.P. F.; PAES, L.G.R.A. Desigualdade racial no Brasil: uma realidade atual. 16/06/2021. Disponível em: https://www.politize.com.br/equidade/blogpost/desigualdade-racial-no-brasil/. Acesso em: 16 maio 2022.


SAWAIA, Bader Burihan (Org.). As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.


RIBEIRO, Djamila. A desigualdade no Brasil: um resgate histórico. GIFE. YOUTUBE, s/d. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=iWMp3iOTqV0. Acesso em: 15 maio 2022.