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Preconceito, discriminação e intolerância. Três conceitos diferentes, porém, interligados e viabilizados pelas relações de poder. Convido você a revisitar a história do nosso país e, a partir desse novo olhar, compreender qual o nosso papel no combate ao preconceito, à discriminação e à intolerância.
Quem nunca ouviu ou leu que o Brasil foi descoberto em 1500? Porém, sabemos que quando os colonizadores chegaram ao país já havia povos nativos que, indiscriminadamente, foram chamados de índios por falta de conhecimento sobre esses diferentes povos, que eram organizados em diversas etnias, com costumes e tradições bastante diversificados. E como retrato do que foi o processo de colonização do Brasil, estima-se que muitas dessas etnias foram dizimadas pelos colonizadores.
Diante do objetivo de buscar e explorar riquezas em novas terras, os colonizadores portugueses utilizaram diversas estratégias para dominar os povos originários. É a partir dessa história que emerge um dos primeiros estigmas em nosso país, que permanece até os dias atuais gerando preconceito: “os índios são preguiçosos”. Quando, na verdade, a chamada preguiça se referia a um ato de resistência.
A justificação ideológica da conquista e da destruição do mundo indígena foi feita por meio da desumanização, descaracterização e coisificação do índio. Se não fosse assim, teriam problemas de consciência e enfrentariam sérias resistências dentro do próprio sistema. (SANTOS, 1998, p. 88).
Da mesma forma, durante muitos anos observou-se uma narrativa distorcida sobre o processo de escravização dos negros. Os primeiros africanos chegaram ao Brasil por meio do tráfico negreiro, ou seja, de maneira forçada. Nesse contexto, a abolição não se deu por ação de consciência da coroa, mas foi fruto de uma conquista realizada por meio do engajamento popular e, principalmente, pela resistência e luta violenta. Estima-se que, ao longo da história do tráfico negreiro, cerca de 4,8 milhões de africanos foram trazidos para o Brasil. Isso significa que esse país foi o que mais recebeu africanos para serem escravizados em todo o continente americano. Aliado a isso, foi o último país a acabar com a escravidão do povo negro.
Para conhecer mais sobre esse capítulo da história do Brasil, que perpetua consequências até os dias atuais, convido você a acessar o material complementar: documentário da TV Justiça sobre a Escravidão no Brasil.
Por que trazer a história do Brasil para falar sobre preconceito, discriminação e intolerância como estrutura das relações de poder? Porque a forma como tais relações se apresentam hoje tem a ver com a estrutura da construção histórica do nosso país.
Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro.
Heródoto
Após essa leitura inicial, que elucida a estruturação histórica das relações de poder em nossos país, vamos ouvir uma música?
Essa música foi lançada em 1986, era ano de Copa do Mundo, o presidente era José Sarney e a nossa moeda era o Cruzado. Provavelmente muitos de vocês não eram nascidos. Mas, o que mudou? Ao ouvir essa música o que ela te diz sobre o Brasil de 1500, o Brasil de 1986 e os Brasil dos anos 2000? Que crítica social está permeada em “Toda Forma de Poder” do Engenheiros do Hawaii?
Clique no play e confira! Abaixo, a letra da música para você acompanhar!
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada, yeah yeah
Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada, yeah yeah
E eu começo a achar normal que algum boçal
Atire bombas na embaixada, yeah
yeah, oh oh
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada,
yeah yeah
Toda forma de conduta se transforma numa luta armada, oh oh
A história se repete
Mas a força deixa a história mal contada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo
que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
E o fascismo é fascinante
Deixa a gente ignorante e fascinada
E é tão fácil ir adiante e se esquecer
Que a coisa toda tá errada
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer, yeah he, oh
Fonte: Musixmatch.
Compositores: Humberto Gessinger
Letra de Toda forma de poder © Warner/chappell Edicoes Musicais Ltda
Agora, convido você a acessar o frame e analisar os conceitos de Estereótipo, Preconceito, Discriminação e Intolerância para, posteriormente, relacioná-los ao desenvolvimento teórico sobre as relações de poder.
Vamos finalizar esse momento de estudo com um vídeo.
Assista ao vídeo a seguir, “Ser Ou Não Ser - Foucault e as relações de poder”, que apresenta uma síntese sobre a relação entre os conceitos abordados neste material, sob a ótica do Filósofo Michel Foucault. Clique no play e confira!
Pense a respeito!
Neste material, estudamos sobre como o preconceito, a discriminação e a intolerância baseiam as relações de poder. Não perca de vista que é nossa responsabilidade, enquanto cidadãs e cidadãos, combater as estruturas sociais de opressão para a construção de uma sociedade mais saudável e justa.
Material
Complementar
ESCRAVIDÃO no Brasil. TV Justiça Oficial. Documentário: parte II. YOUTUBE, s/d. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YB5E1j0cE_Y>. Acesso em: 15 maio 2022.
Material Complementar
ESCRAVIDÃO no Brasil. TV Justiça Oficial. Documentário: parte II. YOUTUBE, s/d. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=YB5E1j0cE_Y>. Acesso em: 15 maio 2022.
Referências
Brasil Escola. Tráfico negreiro. s/d. Disponível em:<https://brasilescola.uol.com.br/historiab/trafico-negreiro.htm#:~:text=O%20Brasil%20recebeu%2C%20aproximadamente%2C%204,Eus%C3%A9bio%20de%20Queir%C3%B3s%2C%20em%201850>. Acesso em: 16 maio 2022.
GESSINGER, Humberto. Toda forma de poder. São Paulo: BMG/RCA. Disponível em:<https://www.google.com/search?q=engenheiros+do+hawaii+toda+forma+de+poder+letra>. Acesso em: 25 maio 2022.
LIMA, R. Engenheiros do Hawaii - Toda Forma de Poder. YOUTUBE, s/d. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=_Aj8oWL_uNQ>. Acesso em: 14 maio 2022.
Mosé, V. Ser Ou Não Ser. - Foucault e as relações de poder. YOUTUBE, s/d. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=lLCXhefM2i4&t=303s>. Acesso em: 13 maio 2022.
SANTOS, C. M. dos. Amazônia. conquista e desequilíbrio do ecossistema. Brasília: Thesaurus, 1998.