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Você sabe o que é o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH)? Nesta aula, entenderemos um pouco mais sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) e o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH). Vamos lá?!

Programa Nacional de Direitos Humanos e o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos

O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) é um documento que objetiva alinhar o Brasil com a educação em direitos humanos. Educação essa que é compreendida como um processo sistemático e multidimensional que orienta a formação do sujeito de direitos.

O Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) possui duas fontes centrais de origem. A primeira se refere ao nascedouro universal de todos os programas de direitos humanos: a “Conferência Mundial sobre os Direitos do Homem”, de 25 de junho de 1993. Nessa Conferência, organizada pela Organização das Nações Unidas, ficou acordado, por meio da Declaração e Programa de Ação da Conferência Mundial de Viena, de 1993, que os Estados iriam concentrar esforços rumo à implementação de todas as espécies de direitos humanos.

Nessa Conferência, o Brasil presidiu o Comitê de Redação (pelas mãos do Embaixador Gilberto Saboia) e agiu de maneira incisiva para a aprovação final da Declaração e do Programa da Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena, até mesmo no que se refere ao dever dos Estados de adotar planos nacionais de direitos humanos.

No âmbito nacional (segunda fonte de emersão do programa), a primeira versão do PNDH foi motivada por um histórico de violências em nosso país, que teve como ápice um triste capítulo da nossa história recente: o massacre em Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996 (se você quiser saber mais sobre esse fato histórico, acesse a seção de material complementar).

“No Brasil, como na maioria dos países latino-americanos, a temática dos direitos humanos adquiriu elevada significação histórica, como resposta à extensão das formas de violência social e política, vivenciadas nas décadas de 1960 e 1970. No entanto, persiste no contexto de redemocratização a grave herança das violações rotineiras nas questões sociais, impondo-se, como imperativo, romper com a cultura oligárquica que preserva os padrões de reprodução da desigualdade e da violência institucionalizada (BRASIL, PNEDH, 2018)”.

De acordo com Pinheiro e Neto (1997), em 13 de maio de 1996, apesar do grande trauma causado pelo massacre, o governo de Fernando Henrique Cardoso lançou o Programa Nacional de Direitos Humanos, como uma das principais estratégias para viabilizar a reforma do Estado, democratizar a sociedade, consolidar o Estado de direito e ampliar as garantias dos direitos humanos e de cidadania no Brasil. Esse foi o primeiro programa para proteção e promoção de direitos humanos da América Latina e o terceiro no mundo.

Ainda de acordo com esses autores, o PNDH nasce no Brasil com a relevância de ter sido formulado a partir de discussão pública, pois o Programa não foi resultado de decisões tomadas em gabinetes fechados.

A primeira versão do PNDH é efetivada por meio do Decreto nº 1.904/1996 e tinha como principal objetivo realizar o levantamento sobre os direitos humanos no Brasil.

Para conhecer a linha do tempo e os objetivos de cada versão do nosso Programa Nacional de Direitos Humanos, acesse o infográfico a seguir.

Programa Nacional de Direitos Humanos

Visualize a cidade apresentada. Em seguida, clique em cada uma das pessoas sinalizadas para conhecer o que elas têm a dizer detalhadamente!

A partir do seu histórico e dos seus propósitos, é possível compreender que o PNDH tem, como objetivo central, proteger e garantir os direitos humanos no Brasil. Ele deve direcionar as ações governamentais sempre em benefício dos direitos humanos. Porém, vale ressaltar que o PNDH não possui força obrigatória, pois não é lei.  

Mas e o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos? O que é isso? Possui relação com o PNDH? E com a Declaração Universal dos Humanos? É o que veremos a seguir!

Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e suas relações com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O primeiro ponto que precisamos destacar é que o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) pode ser compreendido como o resultado de algumas provocações lançadas no PNDH II. Nesse, não há uma abordagem explícita acerca da necessidade de um planejamento próprio das ações educativas em Direitos Humanos, porém, um conjunto de proposições presente que motiva esse planejamento. Assim, de acordo com o site do governo:

“O processo de elaboração do PNEDH teve início em 2003, com a criação do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos (CNEDH) e seu engajamento no trabalho de criação do Plano. Entre 2004 e 2005, o PNEDH foi amplamente divulgado e debatido com a sociedade. Em 2006, como resultado dessa participação, foi publicada a versão definitiva do PNEDH, em parceria entre a então Secretaria Especial de Direitos Humanos, o Ministério da Educação e o Ministério da Justiça (BRASIL, 2018)”.

O PNEDH, assim como o PNDH, se constitui enquanto ferramenta para a implementação de importantes aspectos contemplados na Declaração Universal dos Direitos humanos, assim como das proposições estabelecidas na Declaração e Programa de Ação de Viena.

A implementação do PNEDH representa um ganho histórico e democrático e demarca a inserção do Estado brasileiro na história da afirmação dos direitos humanos e na Década da Educação em Direitos Humanos, prevista no Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos (PMEDH) e em seu Plano de Ação. O PNEDH viabiliza a realização de práticas e o estabelecimento da cultura em Direitos Humanos.

Para tanto, de acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos:

“A definição considerada para a Educação em Direitos Humanos é de um processo sistemático e multidimensional que orienta a formação do sujeito de direitos, articulando as seguintes dimensões:

  • Apreensão de conhecimentos historicamente construídos sobre direitos humanos e a sua relação com os contextos internacional, nacional e local;
  • Afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos direitos humanos em todos os espaços da sociedade;
  • Formação de uma consciência cidadã capaz de se fazer presente em níveis cognitivo, social, ético e político;
  • Desenvolvimento de processos metodológicos participativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos contextualizados;
  • Fortalecimento de práticas individuais e sociais que gerem ações e instrumentos em favor da promoção, da proteção e da defesa dos direitos humanos, bem como da reparação das violações (BRASIL, 2018)”.

A partir dessas dimensões e para alcançar os objetivos estabelecidos, o PNEDH se baseia em cinco eixos de atuação: Educação Básica; Educação Superior; Educação Não-Formal; Educação dos Profissionais dos Sistemas de Justiça e Segurança Pública e Educação e Mídia. Para cada um desses eixos, são pensados e estabelecidos programas e métodos específicos de forma que a educação em Direitos Humanos se desenvolva de maneira continuada.

Para um exemplo prático de uma estratégia que contempla o eixo Educação e Mídia, mas que pode avançar para todos os eixos como ferramenta de ensino e divulgação sobre o que são os Direitos Humanos, você pode acessar a Cartilha ‘Direitos Humanos’ elaborada pelo Ziraldo no link:

https://turminha.mpf.mp.br/multimidia/cartilhas/CartilhaZiraldodireitoshumanos.pdf/view

E para aprofundar o conteúdo, o vídeo abaixo é um excelente material para isso.

Assista ao vídeo a seguir para conhecer sobre Direitos Humanos: Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) - Parte 3. Clique no play e confira!

Fonte: EDUCAÇÃO a Distância. Youtube, 2019.

Pense a respeito!

O PNDH e PNEDH representam grandes avanços em nosso país em direção à estruturação de uma sociedade com a garantia dos Direitos Humanos, mas precisamos lembrar que cabe a nós a ação, fiscalização e revisão de cada um dos seus parâmetros.

Vamos ao material complementar? #ficaoconvite




Material Complementar

BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos. Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, 2018.

FERREIRA, H. M.; REZENDE ELIEZER, C.; RIBEIRO DE CARVALHO SOUSA, L. O PNEDH como ferramenta de consolidação e expansão dos direitos humanos. Olhares: Revista do Departamento de Educação da Unifesp, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 15–30, 2020. DOI: 10.34024/olhares. 2020.v8.10775. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/10775. Acesso em: 20 maio 2022.

MASSACRE de Eldorado dos Carajás completa 25 anos. Jornalismo TV Cultura. YOUTUBE, 16 de abr. de 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WqxBOIeOehs. Acesso em: 20 maio 2022.




Referências

BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos. Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, 2018.

BRASIL. Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/educacao-em-direitos-humanos/plano-nacional-de-educacao-em-direitos-humanos. Acesso em: 20 maio 2022.

FERREIRA, H. M.; REZENDE ELIEZER, C.; RIBEIRO DE CARVALHO SOUSA, L. O PNEDH como ferramenta de consolidação e expansão dos direitos humanos. Olhares: Revista do Departamento de Educação da Unifesp, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 15–30, 2020. DOI: 10.34024/olhares. 2020. v8.10775. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/10775. Acesso em: 20 maio 2022.

PINHEIRO, Paulo Sérgio e MESQUITA NETO, Paulo de. Programa Nacional de Direitos Humanos: avaliação do primeiro ano e perspectivas. Estudos Avançados [online]. 1997, v. 11, n. 30, p. 117-134. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-40141997000200009. Acesso em: 08 maio 2022.

SILVA, Wilson Macena da. Programa Nacional de Direitos Humanos: o que é? Disponível em: https://www.politize.com.br/programa-nacional-de-direitos-humanos. Acesso em: 08 maio 2022.