Contexto
A SI Construções entregou recentemente o projeto de um prédio comercial feito com a metodologia BIM, já com a obra em andamento e com o hall de entrada pronto, o cliente solicitou uma ampliação da área prevista para abrigar um restaurante no térreo. O projeto precisará passar por alteração e Laura precisará acessar os arquivos do antigo projeto para realizar as alterações, plotar o projeto e organizar os novos arquivos gerados.
Roberta - Laura, antes de você começar a estagiar aqui, fizemos o projeto desse edifício comercial, e agora o cliente está pedindo uma alteração aqui no pavimento térreo.
Laura - Entendi, Roberta.
Roberta - Preciso que você faça as alterações nos arquivos originais que estão armazenados na nuvem. Depois que finalizar as alterações, realize a plotagem do novo projeto e organize os arquivos físicos e digitais, tudo bem?
Laura - Certo! Farei essas alterações e salvarei a nova versão do projeto!
Problematizando
Como reconhecer as técnicas de organização e plotagem de arquivos de projetos de arquitetura e engenharia?
Conhecimento em Pauta!
ARQUIVOS FÍSICOS E DIGITAIS DE DESENHOS DE PROJETOS
Imagine a seguinte situação, você é um(a) fotógrafo(a) profissional especializado(a) em fotografar modelos para campanhas de moda. Tendo trabalhado durante anos neste setor, você se habituou às técnicas de organização dos arquivos físicos, que incluem fotos, álbuns e negativos. Assim, cada material dever ser cuidadosamente nomeado e categorizado para que você possa acessar facilmente as fotos quando necessário.
Sabendo da necessidade de se adaptar às novas mudanças, você passa a implementar o uso de arquivos digitais nos ensaios que realiza. Com isso, suas fotografias agora são organizadas em pastas no seu computador ao invés de álbuns; além disso, periodicamente você realiza o backup destes arquivos, para que nenhum registro importante se perca.
Do mesmo modo ocorre com os projetos de arquitetura e engenharia, por muito tempo tivemos apenas os arquivos físicos para realizar a documentação dos projetos. Porém, com o avanço da tecnologia, passamos a desenvolvê-los através de programas de computador, o que resultou em arquivos digitais.
Os arquivos digitais oferecem vantagens como modificações mais rápidas nos projetos, acesso e edição simultânea por vários membros da equipe, além da economia de espaço físico. Dessa forma, o uso dos arquivos físicos fica reservado a situações especificas, como aprovação em órgãos administrativos, a exemplo das prefeituras, e utilização na execução das obras.
Assim, vamos reconhecer nessa aula como ocorre a organização desses arquivos, seus tipos e extensões, e como realizar a plotagem dos projetos de arquitetura e engenharia em um software BIM.
ARMAZENAMENTO DOS ARQUIVOS DIGITAIS EM NUVEM
O armazenamento de dados em nuvem é uma forma de guardar arquivos digitalmente, usando servidores que ficam em outros lugares, mas que podem ser acessados pela internet. Isso quer dizer que, se você tem um arquivo importante e precisa dele em outro lugar, pode simplesmente acessá-lo de qualquer dispositivo conectado à internet, como um celular, computador, tablet, entre outros.
Esse modelo de armazenamento de dados ganha cada vez mais espaço nos negócios devido às suas vantagens como agilidade, acessibilidade, segurança e economia de tempo.
Para as empresas de construção civil, essas características são muito úteis, pois permitem o acesso e edição de projetos de qualquer lugar, facilitando a resolução rápida de problemas e reduzindo os custos associados à manutenção de salas para arquivos, papéis e impressões.
A organização dos arquivos nas nuvens acontece através da categorização e pastas. Existem diversos provedores de armazenamento em nuvem no mercado, sendo os mais populares o Google Drive, o Dropbox, o OneDrive e o Amazon S3, que oferecem diferentes planos e preços para atender às necessidades de cada empresa. Outros aspectos relacionados ao armazenamento em nuvens são os limites de acesso a usuários, os formatos de arquivo, os padrões de configuração e os critérios de nomenclatura, veja adiante.
Limites de acesso a usuários
Com o uso do armazenamento em nuvem é possível ter um maior controle no gerenciamento dos acessos e permissões aos arquivos. Por meio da configuração de diferentes níveis de acesso, as empresas de construção civil admitem que apenas pessoas autorizadas visualizem, editem ou compartilhem determinados documentos; garantindo a segurança dos dados. O que é essencial em casos de informações confidenciais ou projetos em estágios específicos de desenvolvimento.
O controle preciso dos acessos reforça a privacidade e a integridade das informações, pois garante que somente os indivíduos designados tenham a capacidade de visualizar, editar ou compartilhar documentos.
Formatos de arquivos
Os serviços de armazenamento em nuvem suportam uma ampla variedade de formatos de arquivos, o que inclui documentos de texto, planilhas, imagens, vídeos, formatos específicos de programas de projetos, entre outros.
Veja a seguir uma lista com alguns exemplos de formatos relacionados aos tipos de arquivos:
Os formatos de arquivos permitem o armazenamento e o acesso a diferentes tipos de conteúdo relacionado aos projetos, desde desenhos técnicos, contratos e relatórios até imagens de renderizações e vídeos dos passeios imersivos. E para garantir a qualidade dessa organização é importante que estejamos atentos aos padrões de configuração. Vejamos adiante.
Padrões de configuração
Para garantir a segurança dos dados armazenados em nuvem é necessário estabelecer padrões de configuração que garantam a integridade e a confidencialidade dos arquivos. Dessa forma, algumas práticas devem ser consideradas:
Essas práticas combinadas são essenciais para garantir a segurança dos dados armazenados em nuvem, proporcionando um ambiente digital mais seguro e confiável, preservando a integridade e a confidencialidade das informações.
Critérios de nomenclaturas – normas nacionais e internacionais
A padronização na nomenclatura de arquivos é fundamental para a organização eficaz dos dados, já que a consistência na nomenclatura facilita a localização rápida de documentos e reduz erros de identificação. Normalmente cada empresa adota diretrizes internas para a nomenclatura de arquivos, mas é recomendável que sigam alguns critérios e convenções para que os projetos possam ser identificados por quaisquer profissionais e colaboradores do setor.
A ISO 13567 é uma norma internacional que se relaciona à nomenclatura e estruturação de informações em desenhos técnicos utilizados em engenharia e arquitetura. Ela estabelece convenções de nomenclatura dos arquivos, especifica padrões para cores e espessuras de linhas usadas em desenhos técnicos etc.
Assim, a AsBEA (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura) usa a norma ISO 13567 como referência, para sugerir um sistema de nomenclatura de projetos com o objetivo de permitir a rápida identificação de informações importantes do conteúdo do arquivo conforme uma lógica baseada em siglas. Observe a seguir:
O armazenamento em nuvem oferece uma solução eficaz para o gerenciamento de arquivos digitais a partir da definição de limites de acesso, do suporte a diversos formatos de arquivos, da aplicação de padrões de configuração sólidos e da implementação de critérios de nomenclatura.
É interessante perceber também como os padrões de nomenclatura dos arquivos são o primeiro passo para construir uma boa organização dos documentos de projetos. Vamos então estudar os critérios de organização dos arquivos, a seguir.
ORGANIZAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS, FÍSICOS E DA DOCUMENTAÇÃO DE DESENHOS DE PROJETOS CONSTRUÇÃO CIVIL
Imagine precisar fazer uma alteração em um projeto e perder minutos ou até mesmo horas tentando encontrar o arquivo no computador... é uma situação estressante e que prejudica a produtividade não é mesmo? Mas essa situação pode ser evitada apenas com uma boa organização dos arquivos e documentos do projeto.
A organização de arquivos digitais e físicos de desenhos de projetos é uma parte fundamental do gerenciamento de documentos em projetos de construção civil. Uma organização eficaz melhora a colaboração entre a equipe e o acesso às informações, ajudando a evitar erros, retrabalho e atrasos; o que facilita a recuperação de informações quando necessário; sendo essencial para a eficiência e para a produtividade do trabalho.
Esse processo envolve a criação, a manutenção e o arquivamento de documentos relacionados ao projeto de construção, desde a fase de planejamento até a conclusão da obra. Por isso, é importante seguir um passo a passo, para que qualquer pessoa que precise acessar um arquivo consiga encontrá-lo facilmente.
Veja a seguir uma lista com os recursos importantes para promover uma organização mais eficiente dos arquivos de projeto.
Ao organizar os arquivos dos projetos seguimos uma hierarquia onde temos uma pasta principal que pode ser chamada de "Projetos" e contêm subpastas dos tipos de projetos realizados como “Projetos Residenciais” e “Projetos Comerciais”.
Dentro de cada subpasta teremos ainda a divisão por projetos e/ou clientes, e na sequência a divisão por disciplina de projeto, como “Projeto Arquitetônico”, “Projeto Executivo”. Assim, cada disciplina contará com seus referentes arquivos.
Veja a animação na sequência para compreender melhor como são organizadas as pastas.
Do mesmo modo ocorre com os arquivos físicos. É necessário seguir uma estrutura hierárquica lógica, onde pastas principais abrigam subpastas categorizadas por tipos de projetos e disciplinas específicas, porém, agora de forma física.
Você Sabia?
Anteriormente, os arquivos físicos dos projetos eram guardados em mapotecas, que são grandes armários metálicos com gavetas onde os projetos, impressos em grandes folhas de papel, eram armazenados. Com o avanço da tecnologia, os arquivos físicos passaram a ser pouco requisitados, dando espaço aos digitais.
Em conclusão, a organização eficaz de arquivos, tanto digitais quanto físicos, impacta diretamente na produtividade dos projetos. Os arquivos digitais ganham cada vez mais destaque, e a aplicação de recursos de sistematização e catalogação se tornam cada vez mais necessários. No entanto, em alguns cenários, existe a necessidade da conversão desses documentos em cópias físicas, é nesse contexto que entra o processo de plotagem.
PLOTAGEM / IMPRESSÃO DE PROJETOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA
A plotagem é um processo que envolve a impressão de documentos técnicos, convertendo a documentação digital em arquivos físicos em áreas como engenharia civil, arquitetura e design de interiores. Realizada em grandes formatos de papel e por isso é comumente realizada em impressoras de grande formato chamadas plotters, que são capazes de produzir desenhos detalhados e de alta qualidade em tamanhos maiores do que as impressoras convencionais. Vários elementos são considerados durante esse processo como veremos a seguir.
Nesse processo, podemos inserir as renderizações feitas nas pranchas para plotagem, com o objetivo de ilustrar o projeto, tornando sua interpretação mais fluida. Através das imagens renderizadas impressas os profissionais conseguem fazer uma leitura mais precisa dos materiais e acabamentos aplicados por exemplo, ou mesmo da forma como a iluminação artificial será aplicada em um ambiente.
FORMATOS DE ARQUIVOS: PLT, STL, RVT, ...
Nos projetos de arquitetura e engenharia utilizamos diversos softwares para representar, projetar, documentar e visualizar as edificações que serão construídas, possibilitando a criação de arquivos. Esses arquivos podem ser criados em diferentes programas como AutoCAD, Revit, SketchUp e outros, conforme as necessidades de cada projeto; e cada programa gera tipos específicos de extensões.
Veja a seguir quais as principais extensões de arquivos utilizadas na elaboração de projetos conforme cada software:
Podemos perceber, que a escolha do formato de arquivo desempenha um papel fundamental no processo de exportação de desenhos e modelos de projeto na indústria da construção civil. A extensão do arquivo determina a interoperabilidade, ou seja, a capacidade de utilizar o mesmo arquivo em diferentes softwares. Portanto, a seleção cuidadosa do formato de arquivo facilita a comunicação e a integração de informações.
VERSÕES DE SOFTWARE
A escolha do software utilizado nos projetos tem influência direta sobre o processo de plotagem uma vez que cada programa possui ferramentas diferentes de impressão. Por isso, é preciso ter atenção a versão que está sendo utilizada, pois versões atualizadas dos programas tendem a oferecer recursos mais avançados do que as versões anteriores.
Outro ponto importante é que pelo fato de as equipes de projetos serem multidisciplinares, mais de uma pessoa desenvolve um mesmo projeto; o que gera a necessidade de que todos os membros da equipe utilizem a mesma versão de um programa; evitando assim, erros de compatibilidade e perda de informações.
Quando todos os membros de uma equipe utilizam a mesma versão dos programas, garantimos a compatibilidade dos arquivos e preservamos os recursos de plotagem, que impacta nas configurações de pena, escala e layer (camada).
CONFIGURAÇÕES PENA / ESCALA / LAYER
Antes de realizar a plotagem dos projetos é preciso configurar a forma como os desenhos técnicos serão impressos. Ao projetar tanto em BIM quanto em CAD é preciso seguir a norma ABNT NBR 6492:2021 – Documentação técnica para projetos arquitetônicos e urbanísticos – Requisitos, que determina a forma como os elementos construtivos precisam ser representados quanto a tipos de linhas, espessuras etc. Observe as características das configurações pena, escala e layer:
Para Saber mais!
No site da Autodesk, você pode encontrar tutoriais e recomendações de uso do programa para a configuração de penas, escalas, layers, folhas, pranchas, e muito mais. Pesquise por “help autodesk” e selecione o programa e sua versão (exemplo: Revit, 2024).
Ao configurar corretamente esses elementos garantimos a precisão e qualidade dos desenhos impressos; o que é essencial para comunicar de forma eficaz as informações técnicas presentes nos projetos de engenharia e arquitetura, garantindo uma construção eficiente e precisa.
EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE PLOTAGEM: FUNCIONALIDADE, PADRÕES DE CONFIGURAÇÃO E REQUISITOS DE USO
A plotagem é realizada em impressoras de grande formato, conhecidas como plotters. Essas máquinas requerem configurações específicas para a impressão precisa de documentos de engenharia e arquitetura, incluindo a calibração correta e o uso de papel vegetal ou papel sulfite de alta gramatura.
As técnicas de plotagem incluem a organização de múltiplos desenhos em uma única folha (impressão em lote), a impressão de escalas diferentes em um único documento e a configuração de opções de impressão, como plotagem em cores, em preto e branco ou em escala de cinza, dependendo dos requisitos do projeto.
Desse modo, é importante seguir algumas técnicas de plotagem a fim de garantir a qualidade das informações gráficas impressas. Por isso é preciso:
Após gerar o arquivo .PDF e realizar a impressão do projeto, é necessário realizar a dobra das folhas impressas; é o que veremos a seguir.
DOBRADURA DOS DOCUMENTOS FÍSICOS
A dobradura é a maneira como as folhas de papel com os desenhos impressos são preparadas para armazenamento e transporte. Ela deve ser realizada de forma padronizada para facilitar o manuseio e garantir que os desenhos estejam legíveis quando desdobrados.
De acordo com a NBR 6492:2021, as cópias devem ser dobradas, obtendo-se o formato A4 ao final do dobramento. Além disso, deve-se considerar aba lateral à esquerda para fixação das folhas em pastas, e o carimbo sempre deve estar totalmente visível.
Nessa aula, vimos como a organização eficaz de arquivos, tanto digitais quanto físicos, desempenha um papel fundamental na produtividade dos projetos. Aliado a aplicação de recursos que permitem ordenar os arquivos, o armazenamento em nuvem traz benefícios significativos, como acesso remoto, colaboração simplificada e economia de espaço físico.
Além disso, a escolha adequada de formatos de arquivo e versões de softwares garante a interoperabilidade e a compatibilidade entre diferentes sistemas. Por fim, exploramos as configurações de pena, escala e layer, bem como os equipamentos e técnicas de plotagem. Tudo isso contribui para uma construção mais precisa e eficiente.
Solução do Problematizando
Retornando ao nosso problematizando... “Como reconhecer as técnicas de organização e plotagem de arquivos de projetos de arquitetura e engenharia?”
Para reconhecer as técnicas de organização e plotagem de arquivos de projetos de arquitetura e engenharia, é essencial observar a organização hierárquica das pastas, garantindo que cada disciplina tenha seus arquivos correspondentes, e que os arquivos estejam nomeados corretamente.
Ao realizar a plotagem é necessário observar se os formatos dos arquivos e versões dos softwares são adequados, e se as configurações de pena, escala e layer, assim como a aplicação das técnicas de plotagem foi feita corretamente. Estes elementos garantem uma gestão eficaz da documentação e uma comunicação precisa das informações técnicas.
Laura - Roberta, com base nos arquivos originais armazenados na nuvem fiz as alterações e nomeei os novos arquivos de acordo com o padrão de nomenclatura que utilizamos. Também fiz a plotagem desse projeto para levarmos as pranchas para a obra!
Roberta - Excelente Laura, parabéns pelo trabalho!
Praticando