Aula 1:
APRENDENDO A ENXERGAR OS DESPERDÍCIOS NAS ESCOLAS
Aula 1:
APRENDENDO A ENXERGAR OS DESPERDÍCIOS NAS ESCOLAS
Nos capítulos anteriores, você aprendeu a respeito dos desperdícios existentes em um processo e a importância de se utilizar as ferramentas corretas para fazer a gestão do Lean.
Agora, vamos identificar como os desperdícios acontecem em um contexto educacional. Para isso, precisamos definir o que compõe cada ambiente, salas de aula, laboratórios e oficinas.
Então, vamos em frente!
A definição do ambiente compreende o espaço físico, as condições essenciais de máquinas, ferramentas, instrumentos, aparelhos, equipamentos, materiais de consumo e recursos visuais (inclusive informatizados). Além disso, ele deve ser definido levando em consideração as condições ergonômicas e ambientais, bem como os riscos envolvidos.
Podemos observar na imagem a seguir a relação entre fundamentos, capacidades e recursos em um ambiente educacional.
Agora que você já sabe o que compõe um ambiente educacional, vamos listar os desperdícios encontrados nesse meio. Os desperdícios estão presentes em várias atividades e representam, hoje, a principal razão da improdutividade nos processos. Veja, a seguir, como acontecem e quais suas consequências.
Espera
No processo de aprendizado, em muitos momentos, existe a necessidade de espera. Quem nunca levantou a mão durante a aula para tirar dúvida e teve de ouvir “um momento, por favor!”? Em um ambiente educacional, não ocorre apenas a espera pelo professor. São comuns, durante as práticas, acontecerem outras pausas que estão associadas ao uso de uma máquina ou equipamento por vários alunos e/ou com o compartilhamento de ferramentas para realização de uma mesma tarefa.
Espera
Vamos ver um exemplo prático de como esse desperdício ocorre nas escolas SENAI.
Numa atividade desenvolvida na oficina de Metalmecânica, temos 4 alunos utilizando um único torno. Será que todos conseguirão desenvolver as competências de forma igualitária?
Você acha que, com esse número de alunos por equipamentos, teremos mais atividades que agregam valor, atividades incidentais ou atividades que não agregam valor? Faça uma reflexão e veja se esse desperdício se aplica na sua área de atuação.
Excesso de processamento
Assim como a espera, o excesso de processamento é um exemplo típico de desperdício.
Suponhamos que um aluno do curso de pintura automotiva receba uma orientação de seu docente para mudar a regulagem do equipamento de “1” (menor velocidade) para “2” (maior velocidade). Por insegurança, ele prefere continuar na velocidade 1, subutilizando o equipamento e gastando mais tempo para realizar a tarefa.
O excesso de processamento normalmente ocorre quando o aluno age em uma condição fora da orientação do docente, de modo a executar mais processos que o necessário, realizando a tarefa em maior tempo.
Movimentação
É o desperdício mais evidente no Lean Educacional, uma vez que a maioria dos ambientes educacionais possuem arranjos físicos que privilegiam a alocação máxima de equipamentos. Nos trabalhos realizados até o momento (Ver Módulo 1), calculamos um percentual médio em que 13% de toda a carga horária prática do curso é desperdiçada com movimentação, o que representa, num curso de 500 horas-aula, 66 horas de movimentação!
É ou não é um desperdício significativo?
Transporte
É a movimentação do produto e/ou peça que está sendo fabricada, em função de sua forma ou do processo. Esse desperdício pode ocorrer em maior ou menor quantidade no ambiente educacional.
Intelectual
O desperdício intelectual é comum, pois, na maioria das vezes, ignoramos o fato de que o aluno pode contribuir com sugestões de melhoria para esse ambiente.
desinteresse não me interessa
DEFEITOS E RETRABALHO
Está relacionado ao conceito de “fazer certo na 1ª vez”.
No contexto educacional, o retrabalho pode ser uma fonte de aprendizado, desde que o erro cometido pelo aluno seja previsto em termos de tempo, recursos, matéria-prima, etc. Caso contrário, o retrabalho será um desperdício.